ARTE TÊXTIL

AT

"A Tapeçaria é uma Arte livre, o entrelaçar dos fios conduz a uma experiência mágica que como o fio da vida tem as suas interrupções pelo encontro com outros materiais, e que é difícil entrar neste cerco mágico como é difícil sair por se tornar aliciante."

Grupo 3,4,5       Quadrante

Se a cadeira de Tapeçaria Contemporânea, na Escola Superior de Belas Artes, com o Mestre Rocha de Sousa, despertou o seu interesse pela Arte Têxtil, a semente por esta expressão artística estava, desde a infância, em si plantada embora disso não tivesse consciência.

 

Muito próximo de sua casa, à distância de passar uma ribeira e pouco mais, no lugar da Soalheira, vivia a parente  "Ti Mari Zabel" que levava os dias a "fabricar", num tear de alto liço, tecidos em lã, em linho, em estopa e em

retalhos, utilizando neste caso finas tiras de tecidos reutilizados, já gastos de muito uso.

A magia da teia e da trama criando lindos tecidos motivavam-na, mas eram as tão populares "mantas de retalhos" que faziam as suas delícias pelas

sensações que as "pinceladas" de cor salpicadas e texturas dos tecidos lhe ofereciam " . 

 

O mundo mágico da urdidura fascinava-a, no entanto o impacto visual causado pela imponência do tear ocupando quase por completo a pequena sala transportava-a para um imaginário quase fantasmagórico em que

fascínio e medo eram aliados.

Estas memórias de infância, registadas entre os seus cinco e oito anos, e a iniciação às técnicas de tapeçaria contemporânea, após terminar o curso foram-se sedimentando através da descoberta/experimentação de novos materiais.

O gosto pela tridimensão fez com que esta expressão artística se fosse desenvolvendo e aproximando nesse sentido, conjugando materiais diversificados, uns mais moldáveis, outros menos (chapa acrílica, balsa, entre outros) com fios de algodão, de linho e de seda.